O que seria de fato ter intimidade com alguém? Esse alguém tem que me conhecer por inteiro? Defeitos, qualidades, manias, toques, “humanidades” – entenda-se aqui por necessidades humanas, fisiológicas, ou o que quer que seja que todo mundo faz e todo mundo esconde porque desde crianças aprendemos que são coisas feias e impróprias para serem feitas “em público” – e imperfeições.
Será que tenho intimidade com meus melhores amigos? Será que eles se sentem íntimos de mim? Será que eu tenho intimidade com minha namorada? Não!! Eu tenho pavor de intimidade, e porque?
Tenho fixação por criar uma persona perfeita que se apresenta no meu lugar à todos que conheço. Tenho pavor de que descubram que possuo imperfeições, defeitos e até “humanidades” (igual a todo mundo). O problema é que depois de oito meses de namoro é um pouco impossível se manter na persona perfeita, aliás ela já desmontou faz tempo, mas não me sinto nem um pouco confortável sendo eu mesma e sendo humana…
Depois de ter crescido num mundo que só acredita na beleza, que venera perfeições e rejeita de maneira cruel qualquer tipo de deslize, defeito ou diferença. Um mundo frio. Que me acostumou a ter medo de ser espontânea, a ter vergonha do meu corpo, da minha “beleza”, de ser eu mesma e que me fez sonhar que um dia tudo seria diferente, como quem acredita num conto de fadas.
E eu sempre acreditei em conto de fadas, sempre acreditei em princesas e mundo cor-de-rosa.
Mas aí, quando meu mundo fica cor-de-rosa e parece um conto de fadas (piegas assim, mesmo!), eu não consigo me desfazer da persona que criei pra sobreviver. Não sei mais ser sem a máscara (nem um pouco pejorativa a máscara, pura arma de defesa). Mas o fato é que persona e máscara só combina com conto de fadas no castelo da bruxa.
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